Comportamento

Conviver com as diferenças: como a escola pode ensinar para as crianças?

março 13, 2020
conviver com as diferenças
Tempo de leitura 6 min

Conviver com as diferenças pode ser algo mais óbvio e simples do que parece. Afinal, o que nos define é aquilo em que nos diferimos, muito mais do que tudo que temos em comum. No entanto, como são as semelhanças que nos unem, tendemos a valorizá-las.

Existe saída para essa situação? Ou vivemos em uma época em que as pessoas se aglutinam inevitavelmente em pequenos grupos, movidas por uma relação pouco saudável que pode ser resumida pela oposição “nós contra eles”? Existe um meio-termo que ajude a nos relacionarmos de maneira emocionalmente mais positiva?

No post de hoje você vai encontrar algumas propostas de solução para esses problemas. Vai, também, compreender como deve ser a atuação de pais e professores para que as crianças desenvolvam comportamentos saudáveis nesse sentido. Acompanhe até o fim e faça uma boa leitura!

Como conviver com a diversidade?

Diferenças tendem a ser incômodas desde muito cedo. E a forma como as crianças começam a lidar com elas dá indícios de se vão se tornar pessoas emocionalmente equilibradas ou egoístas e individualistas ao longo do tempo.

A visão de que as diferenças são apenas características é cada vez mais rara. Muitas pessoas tendem a vê-las como defeitos ou qualidades, perseguindo ou evitando tais comportamentos. Essa visão nasce de uma percepção moral severa, muito calcada em concepções estanques de “certo” e “errado”.

Obviamente, a ética deve ser compartilhada por todos os cidadãos de um país. No entanto, embora traços mais radicais de caráter estejam submetidos a ela, outras atitudes mais amenas não precisam ser levadas tão à risca.

Então, por exemplo, o gosto para a música não pode ser tomado como fator definidor de uma pessoa, assim como de seu caráter. Isso parece banal, mas o sentimento que norteia tal conduta é o mesmo que dificulta a empatia em questões mais essenciais, como é a aceitação de crianças portadoras de necessidades especiais.

Qual é o papel dos pais e da escola nessa tarefa?

No fundo, trata-se de desenvolver o sentimento de empatia. Essa palavra tornou-se termo da moda, mas sua compreensão prática ainda é um pouco limitada, em boa parte dos casos.

Tendemos a considerar que empatia é ver com nossos olhos as ações e decisões de outra pessoa, o que leva ao juízo de valor irrefletido. Inadvertidamente, ensinamos esse comportamento às crianças, o que pode torná-las insensíveis a necessidades que as outras pessoas apresentam e elas não.

Esse é o primeiro passo para atrapalhar a convivência e causar problemas à autoestima dos colegas. Para que você evite esse comportamento em casa — e seja possível à escola fazer o mesmo —, listamos algumas condutas benéficas.

Estimular a reflexão

O juízo de valor costuma ser muito imediato. Poucas vezes tentamos colocar a reflexão antes, e as crianças rapidamente assimilam esse comportamento.

Então, discutir nosso papel social, assim como o das outras pessoas, é um grande ponto de partida. Essa discussão diferencia o debate ético de uma visão moralista de eventos a que somos submetidos todos os dias.

De certa forma, a reflexão permeia tudo. Você vai ver como ela é necessária (e como deve ser permanente, e não algo imediato e sem profundidade) nos próximos tópicos.

Incentivar a inclusão escolar

Ao falarmos de inclusão, a primeira coisa que vem à mente são as pessoas com deficiência (PcD). Claro, lidar com alunos com capacidades de locomoção reduzidas, por exemplo, é precioso para o desenvolvimento das outras crianças.

Mas é difícil partirmos disso para uma aplicação desse conceito em nós mesmos. A criança sem deficiência costuma relutar para aplicar a mesma lógica em si: ela não reconhece muitas das dificuldades que apresenta, apenas por não serem crônicas como as do colega PcD.

Ou seja, ver de perto uma realidade tão diferente deve ajudar a criar o próprio conceito de individualidade, ajudando-a a se aceitar com suas características e limitações, o que auxilia a melhorar o desempenho escolar e a lidar com a timidez excessiva.

Realizar brincadeiras em grupo

Trabalho em equipe, brincadeiras em grupo e outras atividades coletivas, por mais simples que sejam, são boas lições de aceitação das diferenças.

Nesses eventos, as crianças tendem a visualizar rapidamente suas qualidades, uma vez que elas são prontamente estimuladas e demandadas pelos grupos. A lógica de que cada um faz aquilo em que é melhor é muito saudável, mas, em seguida, os pequenos são obrigados a lidar com os próprios defeitos.

Nesse ponto, conflitos podem surgir. Pode haver dificuldades de aceitação e os colegas podem não ser delicados ao comunicar essas limitações. Esse é o momento de pais e escola agirem, trabalhando a autoestima e evitando uma visão pessimista das crianças sobre si mesmas.

Valorizar os pequenos gestos

Temos dificuldades de entender quando fazemos a diferença. Por outro lado, vivemos muito focados nos momentos em que nos mostramos incapazes ou nos assuntos dos quais temos pouco ou nenhum conhecimento.

A melhor maneira de lidar com isso é chamando a atenção das crianças para os pequenos gestos. Afinal, é neles que se manifestam nossas maiores qualidades, já que aquilo que temos facilidade em fazer sempre nos parece banal.

Como dissemos no início deste post, tanto pais quanto professores têm papel ativo na função de fazer com que as crianças aceitem as diferenças. Esse papel, muitas vezes, é o de educar com exemplos, e não apenas com o discurso.

Assim, se você gostaria que seu(sua) filho(a) convivesse bem com os colegas, sem apresentar comportamentos negativos como preconceitos e discriminação, é necessário cultivar esses hábitos, demonstrando-os no dia a dia.

O mesmo vale para os professores, que devem dar lições tanto teóricas quanto práticas de como conviver com as diferenças. No final, ganham todos, já que as atitudes positivas são ótimas para melhorar a autoestima também de quem as pratica.

Gostaria de deixar sua opinião sobre o assunto? Há algum relato sobre atitudes ou teorias a respeito da convivência com as diferenças que você deseja dividir com a gente? Então aproveite o espaço, deixe um comentário abaixo e participe da discussão!

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