Educação

Como ensinar educação financeira em cada etapa da vida dos filhos?​

maio 16, 2019
Como ensinar educação financeira em cada etapa da vida dos filhos?​
Tempo de leitura 7 min

Pensar na educação financeira para os filhos é importante para evitar que crianças se tornem adultos com dificuldade em lidar com o dinheiro. No último ano, o número de devedores no Brasil ultrapassou 60 milhões de pessoas, segundo os dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), e grande parte da inadimplência deve-se ao fato de os brasileiros não saberem lidar com suas finanças.

A educação financeira ainda é um assunto pouco trabalhado nas escolas e dentro de casa. Há uma certa naturalidade na utilização do dinheiro, como se esse processo fosse algo simples. Ao incluir hábitos relacionados às finanças na vida dos pequenos, os pais estarão contribuindo para um futuro financeiro mais equilibrado.

Se você quer aprender mais sobre esse tema, continue lendo este conteúdo.

Qual a importância da educação financeira para os filhos?

A educação financeira infantil é importante, pois trata-se de um aliado que impedirá que, no futuro, a criança se torne um adulto endividado, consumista ou sem noção da realidade. É preciso explicar desde cedo que as pessoas precisam trabalhar para ganhar dinheiro e que há uma periodicidade de trabalho versus ganho.

Quando esses assuntos não são abordados em casa, a criança fica sem entender de onde vem aquela quantia e o que é preciso fazer para conquistá-la. Dessa forma, muitas acabam acreditando que basta ir ao caixa eletrônico ou à carteira dos pais para conseguir mais dinheiro.

Também é preciso desmistificar a crença de que falar sobre finanças é coisa de adultos. Há diversas formas de adaptar a realidade financeira para o entendimento infantil, fazendo com que a criança crie identificações com sua própria rotina e compreenda como utilizar seus ganhos da melhor maneira.

Portanto, ao criar hábitos conscientes de consumo, o jovem entenderá que é possível sonhar, economizar, idealizar e se organizar para adquirir bens.

Como ensinar as crianças a lidar com o dinheiro?

As crianças conseguem entender que há diferenças entre elas e os adultos. Elas percebem, por exemplo, que os pais saem todos os dias para trabalhar enquanto elas vão à escola. Com essa mesma lógica, elas entenderão que os pais provêm o sustento da casa, e elas dependem financeiramente deles.

Há idades adequadas para começar a falar e dar quantias aos filhos. Contudo, é preciso entender que a educação financeira deve ser algo natural em casa e que o dinheiro nunca poderá ser tratado como tabu, mesmo que haja a falta dele. Quando as situações são explicadas e debatidas, fica mais fácil para que todos os membros da família compreendam quais são os seus papéis naquele cenário.

Veja algumas dicas para inserir a educação financeira em cada etapa da vida dos filhos.

Incentive o uso do cofrinho

O uso do cofrinho é uma boa técnica para crianças de 3 a 5 anos. Presenteie a criança com um cofre e explique a ela como funciona o processo: é preciso ganhar moedinhas, guardá-las e esperar o cofrinho ficar cheio para abri-lo ou quebrá-lo. É interessante propor uma finalidade para a utilização dessa quantia guardada. Por exemplo, comprar uma nova bicicleta ou adquirir um novo jogo ou brinquedo.

Essa é uma maneira de exemplificar como é necessário economizar para alcançar um objetivo. Além disso, a criança perceberá quanto tempo leva e de quantas coisas ela precisou abrir mão para alcançar um objetivo maior.

Estabeleça mesadas de acordo com a idade

O valor das mesadas e a periodicidade de distribuição devem ser relativas à idade. Até os 5 anos, o ideal é dar dinheiro apenas eventualmente. Dos 6 aos 8 anos, é indicado que o pagamento seja feito a cada semana; dos 9 aos 11, quinzenalmente e, a partir dos 12, mensalmente.

Essa divisão é importante, pois as crianças têm uma percepção diferente do tempo dependendo da sua idade e, com o passar dos anos, elas aprenderão a manejar o dinheiro da melhor forma até conseguirem economizar.

Sobre os valores, não há um consenso sobre qual quantia ideal, mas alguns fatores ajudarão a chegar à melhor escolha. Pesquise com outros pais, simule os possíveis gastos da criança e faça uma média ao longo do tempo para achar o valor adequado.

Além disso, é importante ressaltar que os pagamentos semanais, quinzenais ou mensais devem servir para cobrir os gastos extras da criança, e que os pais não podem cair na tentação de dar mais dinheiro quando esse montante acabar. Se isso acontecer, a criança perceberá que não é preciso economizar, já que os pais estarão aptos a repor a quantia.

A transição entre um ciclo e outro e o aumento ou diminuição do valor vai depender da maturidade da criança e como os pais avaliam o gasto da quantia fornecida. Mesmo que ela não esteja tendo uma boa relação com a mesada, os pais precisam conversar e realizar mudanças até que seu(sua) filho(a) se adéque ao bom uso.

Ensine as crianças a controlarem os gastos

A expressão “liderar pelo exemplo” é um bom resumo para este tópico. A melhor maneira de garantir os bons resultados financeiros dos filhos é por meio das atitudes e ações dos responsáveis, que serão repetidas por eles.

Assim, ao organizar, anotar e controlar os gastos da casa, os filhos perceberão que aquela atitude deve ser seguida. Ensine as crianças a anotarem os gastos e a pouparem sempre que puderem.

É normal que elas sempre queiram comprar algo quando entram em uma loja, mas é dever dos pais orientar: “Você prefere levar essa bola agora ou prefere guardar o dinheiro e comprar aquele skate que você está querendo?”. Com essas conversas, as crianças começarão a entender a relação com o dinheiro.

Outra forma interessante de incentivá-los a juntar é fazendo checkpoints de ganhos. Se a criança quer comprar algo que custa R$100,00, estabeleça pequenas metas de R$25,00, por exemplo. Dessa forma, ela compreenderá quantas etapas já foram passadas e quão longe ainda está do montante final.

Converse sobre investimentos e ganhos a longo prazo

Esse tema é muito importante também, mas é indicado para filhos mais velhos, entre 15 e 17 anos. Muitos adultos ainda desconhecem as possibilidades de investimentos e ganhos a longo prazo, e estudar sobre isso para ensinar aos filhos é uma ótima forma de ampliar o conhecimento.

Explique aos poucos como há formas de fazer o dinheiro render e que há diversas maneiras e instituições que auxiliam nisso. Converse ainda que os investimentos são excelentes formas de planejar grandes conquistas como viagens internacionais, comprar um carro ou uma casa.

Diferencie gastos com lazer e consumo básico

Outro assunto que deve ser abordado com as crianças é sobre os tipos de consumo da família. Para elas, não há diferenciações de gastos com atividades prazerosas e obrigações.

Por isso, caberá aos pais explicar que existem contas obrigatórias a serem pagas, como aluguel ou financiamento, conta de água, luz, escola e gastos com alimentação, e esses serão quitados primeiro. Depois, explique que, com o dinheiro que sobrar, é possível planejar viagens, passeios ao shopping e a compra de novos brinquedos e roupas.

Incentivar a educação financeira junto aos filhos é a melhor maneira de atribuir responsabilidade a eles para construir um futuro mais estável. Mas lembre-se de que os gastos atribuídos às crianças devem ser referentes a supérfluos, como doces e brinquedos. É dever dos pais prover material escolar, passeios, alimentação e roupas.

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