diversidade cultural

 Qual a importância da diversidade cultural para a criança? Entenda!

“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.”

A frase é de Paulo Freire, patrono da educação brasileira. Ela deixa claro, com maestria, a responsabilidade do educador (mas também da família) no desenvolvimento da capacidade crítica, do repertório intelectual e, sobretudo, da tolerância e respeito às diferenças no coração e mente das crianças. Essa concepção de diversidade cultural se faz com educação inclusiva, desde os primeiros anos escolares.

Aprender a amar a diversidade cultural é enxergar o mundo por uma perspectiva multidimensional, compreendendo a interação entre si mesmo e o mundo ao redor como uma profusão de formas, cores, sabores e pensamentos que tornam o mundo rico em experiências.

Esse prazer da descoberta deve ser trabalhado na criança como uma construção coletiva, enfatizando o olhar terno sobre as distinções de etnia, gênero, classe social, estética, entre outras dissemelhanças, ponto de partida para reflexões sobre bullying e discriminação.

Neste artigo, mostraremos um pouco da importância de uma educação inclusiva, que coloque desde cedo a criança em contato com diferentes culturas e formas de encarar a vida, ampliando seus horizontes e a tornando mais empática em relação ao mundo!

Diversidade cultural deve ficar em segundo plano nas escolas?

Em um mundo fortemente marcado pelas interações infantis com as novas tecnologias, muitas vozes se somam ao processo educativo para além do ambiente “casa escola”, vozes nem sempre consonantes com os valores cristãos de cidadania e respeito ao próximo.

Fora, muitas vezes, do controle dos pais, é nesse contexto que emergem em sala de aula (talvez em maior peso do que em décadas passadas) problemas como bullying, rejeição ao diferente e outros temas que desafiam as relações solidárias desde o ensino infantil.

Dentro desse cenário, uma escola que se furte a utilizar suas competências pedagógicas para buscar uma educação social, construída com base em olhares atentos à diversidade cultural, corre o risco de formar, uma década mais tarde, um exército de adultos intolerantes, impassivos e sem visão do mundo do outro. E iluminismo tecnicista com escuridão de valores não faz de nós uma sociedade melhor.

O multiculturalismo brasileiro ainda é ofuscado por estereótipos étnicos, regionais, sociais e culturais. Para quebrar esse legado obscurantista, cabe à escola explorar, desde cedo, situações reais no contexto escolar que criem valorações positivas ao diferente.

Esse trabalho deve ser feito coletivamente. Tomando o exemplo de uma criança especial, como propõe Vygotsky, “devem ser desenvolvidos os sentidos sadios para compensar os que foram perdidos”. O carinho nesse trabalho de construção de estima deve ser presenciado e partilhado pelas demais crianças, criando uma rede de fraternidade que muda definitivamente nossa forma de enxergar o próximo.

Quais os benefícios de trabalhar o amor pela diversidade cultural nas crianças?

Diversidade nada mais é do que a pluralidade de realidades. Assim, fomentar o diverso é educar crianças para se tornarem adultos com noção exata de igualdade, justiça e liberdade.

O protagonismo às diferenças alheias faz com que o próprio indivíduo aprenda a viver melhor com suas idiossincrasias, se tornando mais afável com os outros, mas também consigo mesmo. São, enfim, muitas vantagens em trabalhar a diversidade cultural desde os primeiros anos escolares:

  • eliminação de preconceitos;
  • aumento da capacidade para resolver problemas;
  • ampliação da sociabilidade;
  • melhor percepção de mundo;
  • aumento do senso de ética, compaixão e respeito;
  • redução das práticas de bullying.

4 dicas sobre como aplicar a diversidade cultural na educação infantil

Existem muitas formas de aplicar a pluralidade na educação infantil, algumas das quais apresentamos abaixo.

1. Teatro com bonecas Abayomi

Abayomi é o nome das bonecas negras feitas artesanalmente com tecidos, que remetem aos fantoches de mesmo nome, criados por mulheres escravas para acalmar seus filhos durante as extenuantes viagens nos navios negreiros, durante o trajeto entre a África Ocidental e o Brasil.

Hoje símbolos de resistência e reconhecimento identitário, as Abayomis (“encontro precioso”, em Iorubá) podem ser usadas em um delicioso teatro para contar às crianças a importância das etnias africanas na formação multicultural brasileira e abordar a temática da igualdade racial.

2. Conscientização com poesia

“São duas crianças lindas

Mas são muito diferentes!

Uma é toda desdentada,

A outra é cheia de dentes…

(…)

Uma tem cabelos longos,

A outra corta eles rentes.

Não queira que sejam iguais,

Aliás, nem mesmo tentes!

São duas crianças lindas,

Mas são muito diferentes!”

A musicalidade de poesias como “Pessoas são Diferentes”, de Ruth Rocha, é apenas um exemplo da imensa antologia de obras-primas em versos que podem ser trabalhadas com os pequenos para despertar a importância do respeito e alteridade nas relações humanas.

Existem poesias maravilhosas de artistas como Tatiana Belinky (“Diversidade”), Sônia Nogueira (“Pluralidade da Cultura Brasileira I e II”) e toda a literatura de cordel de Juarês Alencar. Por meio delas, podem ser planejados jograis e recitais seguidos de discussões em roda e ilustração de desenhos que representam os temas tratados.

3. Autorretratos e desenhos dos amigos

Uma forma interessante de mostrar às crianças como é importante combater o preconceito e os estigmas físicos/sociais/étnicos (ainda que guardados no inconsciente) é desenvolver uma atividade que envolva a caracterização dos amigos e de si mesmo.

Nesse tipo de proposta psicopedagógica, é comum que as crianças destaquem determinados aspectos físicos de seus colegas, como obesidade, presença de óculos ou dentes destacados, ocultando esses mesmos detalhes em seus próprios autorretratos.

A partir do resultado desse material, o(a) professor(a) pode trabalhar em sala de aula questões como padrões de beleza, pertencimento identitário, tolerância religiosa, acolhimento aos portadores de necessidades especiais e o entendimento de que a diversidade cultural é tão mágica quanto a paleta de cores em uma aquarela. Como seria triste se tivesse apenas uma tonalidade para pintar o mundo, não?

4. Filmes que exploram a diversidade

Em um conto de fadas às avessas, vemos em Shrek ou na Fiona a representação dos defeitos presentes em todos nós. Há transbordantes exemplos de tolerância e amor, em um nível de aceitação à diferença, que também é visto em Zootopia.

E o que dizer da garotinha havaiana que, ao comprar um cachorro, acaba adotando (e se apaixonando) por um alienígena chamado Stitch?

A pluralidade cultural precisa estar no epicentro do processo de aprendizagem, não como conteúdos especiais ou dias específicos (o que denota exclusão), mas sim como parte integrante de um contínuo ritmo de reflexão sobre a beleza da multiplicidade étnica, estética e social brasileira. É na diversidade das interações que as crianças constroem sua identidade individual e social.

Parafraseando o rico ensinamento do professor catedrático da Universidade de Coimbra, Boaventura de Sousa Santos,

“temos o direito de ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito de ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades.”

Assim, no momento de escolher a escola que formará os valores de seu filho, é essencial buscar por instituições que fixem a diversidade humana e o pluralismo cultural como epicentro das práticas pedagógicas diárias.

Não se trata de se limitar a atividades pontuais, mas integrar as transformações conceituais dentro do processo de aprendizagem permanente na formação dos nossos “pequenos futuros grandes cidadãos”.

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