Como ensinar educação financeira em cada etapa da vida dos filhos?​

Como ensinar educação financeira em cada etapa da vida dos filhos?​

Pensar em como ensinar finanças aos filhos é importante para evitar que crianças se tornem adultos com dificuldade em lidar com o dinheiro. Em 2019, o número de devedores no Brasil ultrapassou 60 milhões de pessoas, segundo os dados do Serasa Experian. Grande parte da inadimplência deve-se ao fato de os brasileiros não aprenderem educação financeira.

A educação financeira ainda é um assunto pouco trabalhado nas escolas e dentro de casa. Há uma certa naturalidade na utilização do dinheiro, como se o processo fosse algo simples e natural, mas é extremamente importante que esse hábito seja explicado desde o início da vida, para que as crianças ganhem consciência sobre sua funcionalidade.

Assim, ao incluir hábitos relacionados às finanças na vida dos pequenos, os pais contribuirão para um futuro financeiro mais equilibrado e seguro. Se você quer aprender como ensinar finanças aos filhos, continue lendo este conteúdo.

O que é educação financeira?

A educação financeira é pouco difundida no Brasil e se restringe a um pequeno grupo de pessoas que vai atrás de conhecimento e tenta criar uma relação sadia com o dinheiro. Entretanto, muitas ainda a associam ao ato de economizar, o que não é verdade. Refere-se à compreensão da utilidade do dinheiro e todas as informações acerca disso.

Assim, uma pessoa que tem uma boa educação financeira é mais consciente nas tomadas de decisão e compreende melhor os riscos e oportunidades. Dessa forma, ela consegue economizar dinheiro, criar reservas de emergência, investir na bolsa e adquirir bens com mais segurança e vantagens.

No caso da educação financeira infantil, ela deve ser difundida na família e os pais precisam abordar o assunto desce cedo com os filhos. Portanto, explique como as pessoas ganham dinheiro, para que as crianças não pensem que é algo simples ou rápido de ser feito.

Além disso, é preciso falar sobre as despesas principais da casa — como conta de luz, água, comida, aluguel e gastos com o carro — e a importância de poupar, de modo a estar sempre preparado para algum imprevisto, como o caso da pandemia causada pela Covid-19.

Qual é a importância da educação financeira para os filhos?

A educação financeira infantil é importante, pois impedirá que no futuro a criança se torne um adulto endividado, consumista ou sem noção da realidade. É necessário explicar desde cedo que as pessoas precisam trabalhar para ganhar dinheiro e que há uma periodicidade de trabalho versus ganho.

O Instituto Axxus realizou uma pesquisa com 750 pais e analisou quais são os hábitos das crianças que têm contato com a educação financeira em relação às que nunca tiveram acesso a esse tipo de informação.

Os dados mostraram que, primeiramente, mais de 90% dos adultos nunca tiveram educação formal sobre o dinheiro. A pesquisa também verificou que 43% das crianças que não têm acesso a esse tipo de educação reagem mal quando os pais negam algum de seus pedidos.

Em contrapartida, 70% das crianças que têm acesso à educação financeira começaram a ajudar os pais nas compras. Esses dados reforçam a importância desse assunto ser debatido entre a família e como aproxima a criança das atividades em casa.

Nesse contexto, é fundamental entender como ensinar finanças aos filhos desde cedo. Veja a seguir algumas vantagens desse entendimento.

Traz mais responsabilidade para a criança

É preciso desmistificar a crença de que falar sobre finanças é coisa de adultos. Há diversas formas de adaptar a realidade financeira para o entendimento infantil, fazendo a criança criar identificações com sua própria rotina e compreender como utilizar seus ganhos da melhor maneira.

Atualmente, há aulas específicas de como ensinar finanças aos filhos, bem como jogos que ajudam a alcançar esse objetivo. Ao utilizar essas ferramentas disponíveis, a criança será mais responsável com o dinheiro e com ela mesma. Afinal, as pessoas se tornam mais responsáveis conforme entendem as relações sociais do mundo.

Estimula o autocontrole

Ao ensinar finanças aos filhos, com poupança, cofrinho ou mesada, as crianças estarão tendo mais responsabilidade sobre o dinheiro, estimulando o autocontrole. Nesse caso, os pais devem passar para o(a) jovem o direito de escolha de quando e como gastar.

No início, os filhos podem ficar excitados e comprar itens supérfluos e bobeiras. Entretanto, ao longo do tempo, eles perceberão que, ao juntar dinheiro por mais tempo, é possível adquirir coisas melhores e de maior valor.

Promove o entendimento real dos bens materiais

É importante conversar com as crianças sobre o valor dos bens materiais e falar sobre consumo consciente. Os filhos devem entender que não é possível comprar algo novo só porque eles enjoaram do antigo ou porque está na moda uma nova versão.

Para evitar crianças consumistas, explique que um novo brinquedo só será comprado se outro for doado. Uma alternativa é justificar que um novo objeto ou artigo será adquirido apenas se o antigo estiver com problema e não puder ser consertado.

Auxilia no desenvolvimento da racionalidade

Sem uma educação financeira, a criança não desenvolve sua racionalidade acerca do dinheiro. Assim, ela fica sem entender de onde vem, o que é preciso fazer para conquistá-lo e qual é a relação estabelecida entre esse fator e a possibilidade de pagar compras e comprar novos objetos.

Dessa forma, muitas crianças acreditam que basta os pais irem ao caixa eletrônico ou abrir a carteira para pegar mais dinheiro. Portanto, ao criar hábitos conscientes de consumo, o(a) jovem entenderá que é possível sonhar, economizar, idealizar e se organizar para adquirir bens.

Como ensinar finanças aos filhos?

As crianças conseguem entender as diferenças entre elas e os adultos, percebendo, por exemplo, que os pais saem todos os dias para trabalhar enquanto elas vão à escola. Com essa mesma lógica, entenderão que seus responsáveis provêm o sustento da casa, colocando-as como dependentes financeiramente deles.

Há idades adequadas para começar a falar e dar quantias aos filhos. Contudo, é preciso entender que a educação financeira deve ser algo natural em casa e que o dinheiro nunca poderá ser tratado como tabu, mesmo quando houver a falta dele. Ao explicar e debater as situações, fica mais fácil para todos os membros da família compreenderem quais são os seus papéis naquele cenário.

Veja algumas dicas de como ensinar finanças aos filhos em cada etapa da vida deles.

Incentive o uso do cofrinho

O uso do cofrinho é uma boa técnica voltada às crianças de 3 a 5 anos. Presenteie seu(sua) filho(a) com um cofre e explique a ele(a) como funciona o processo: é preciso ganhar moedinhas, guardá-las e esperar ficar cheio para abri-lo ou quebrá-lo. É interessante propor uma finalidade para a utilização dessa quantia guardada. Por exemplo, comprar uma nova bicicleta ou adquirir um novo jogo, ou ainda um brinquedo.

Essa é uma maneira de exemplificar como é necessário economizar para alcançar um objetivo. Além disso, a criança perceberá quanto tempo leva e de quantas coisas ela precisou abrir mão até conquistar um objetivo maior.

Estabeleça mesadas de acordo com a idade

O valor das mesadas e a periodicidade de distribuição devem ser relativas à idade. Até os 5 anos, o ideal é dar dinheiro apenas eventualmente. Dos 6 aos 8 anos, é indicado que o pagamento seja feito a cada semana; dos 9 aos 11, quinzenalmente; a partir dos 12, mensalmente.

Essa divisão é importante, pois as crianças têm uma percepção diferente do tempo dependendo da sua idade e, com o passar dos anos, elas aprenderão a manejar o dinheiro da melhor forma até conseguirem economizar.

Sobre os valores, não há um consenso sobre qual quantia ideal, mas alguns fatores ajudarão a chegar a melhor escolha. Pesquise com outros pais, simule os possíveis gastos da criança e faça uma média ao longo do tempo para achar o valor adequado.

Além disso, é importante ressaltar que os pagamentos semanais, quinzenais ou mensais devem servir para cobrir os gastos extras da criança. Por isso você não podem cair na tentação de dar mais dinheiro quando esse montante acabar. Se isso acontecer, a criança perceberá que não é preciso economizar, porque os pais estarão aptos a repor a quantia.

A transição entre um ciclo e outro e o aumento ou diminuição do valor vai depender da maturidade da criança e como os pais avaliam o gasto da quantia fornecida. Mesmo que ela não esteja tendo uma boa relação com a mesada, os pais precisam conversar e realizar mudanças até que seu(sua) filho(a) se adéque ao bom uso.

Ensine as crianças a controlarem os gastos

A expressão “liderar pelo exemplo” é um bom resumo para este tópico. A melhor maneira de garantir os bons resultados financeiros dos filhos é por meio das atitudes e ações dos responsáveis, que serão repetidas por eles.

Assim, ao organizar, anotar e controlar os gastos da casa, os filhos perceberão que aquela atitude deve ser seguida. Ensine as crianças a anotarem os gastos e a pouparem sempre que puderem.

Normalmente, elas sempre querem comprar algo quando entram em uma loja, mas é dever dos pais orientar: “Você quer levar essa bola agora ou prefere guardar o dinheiro e comprar aquele skate que você está querendo?”. A partir dessas conversas, as crianças começarão a entender a relação com o dinheiro.

Outra forma interessante de incentivá-las a juntar é fazendo checkpoints de ganhos. Se o(a) seu(sua) filho(a) quer comprar algo que custa R$ 100,00, estabeleça pequenas metas de R$ 25,00, por exemplo. Dessa forma, ele(a) compreenderá quantas etapas já foram passadas e quão longe ainda está do montante final.

Converse sobre investimentos e ganhos a longo prazo

Esse tema é muito importante também, mas é indicado para filhos mais velhos, entre 15 e 17 anos. Muitos adultos ainda desconhecem as possibilidades de investimentos e ganhos a longo prazo. Estudar sobre isso para ensinar aos jovens é uma ótima forma de ampliar o conhecimento.

Explique, aos poucos, como há formas de fazer o dinheiro render e as diversas maneiras e instituições que auxiliam nesse objetivo. Converse ainda que os investimentos são excelentes formas de planejar grandes conquistas, como viagens internacionais e comprar um carro ou uma casa.

Diferencie gastos com lazer e consumo básico

Outro assunto que deve ser abordado com as crianças é sobre os tipos de consumo da família. Para elas, não há diferenciações de gastos com atividades prazerosas e obrigações.

Por isso, você deverá explicar que existem contas obrigatórias a serem pagas, como aluguel ou financiamento, conta de água, luz, escola e gastos com alimentação — portanto, esses serão quitados primeiro. Depois, explique que, com o dinheiro restante, é possível planejar viagens, passeios ao shopping e a compra de novos brinquedos e roupas.

Entender como ensinar finanças aos filhos é a melhor maneira de atribuir responsabilidade a eles para construir um futuro mais estável. Mas lembre-se de que os gastos atribuídos às crianças devem ser referentes a supérfluos, como doces e brinquedos. É dever dos pais prover material escolar, passeios, alimentação e roupas.

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